Não sou e nem tenho a menor pretensão de me tornar um especialista em educação infantil. As únicas experiências que tenho com crianças, já que ainda não tive o prazer de ser pai, é a minha própria infância e a convivência com um sobrinho que mora comigo há alguns anos e que, mesmo antes disso, já era bastante próximo. E todo o conhecimento empírico que cada um de nós vai acumulando ao longo da vida, afinal, sempre gostei de crianças. Pois bem, voltemos ao tema. Acho que estão matando a infância, encurtando-a, tornando mais chata e limitando-a até os 5 ou 6 anos de idade. A partir daí...
O que é infância na minha concepção? É tempo de brincar, não se preocupar com nada, aprontar, pintar o 7 o 8 o 9... É tempo de fazer birra, de brincar na terra, correr descalço. Tempo de grupinhos separados de meninas e meninos, normalmente com os meninos implicando com as meninas. É tempo de não se preocupar se o sol tá quente ou se tá frio demais para usar determinado tipo de roupa, andar de cueca no meio da rua, fazer os próprios brinquedos. É tempo de cair, chorar, correr e cair de novo, mas sempre se levantando em seguida.
A infância também é tempo de aprender. Aprender a conviver em grupo, a se defender, interagir com outros da mesma idade, idades diferentes, gostos diferentes, classes e cores diferentes. Aprender, principalmente, a superar desafios, receber nãos, tomar "porrada" da vida, se safar das adversidades.
Outro dia, assistindo a um jornal televisivo aparecem duas senhoras, uma contra e outra a favor, de um projeto em tramitação no congresso sobre colocar câmeras de vídeo em instituições educacionais para crianças de até 6 anos de idade. Que absurdo. Como é que um menino, sabendo que está sendo monitorado full time vai agir com naturalidade? A desculpa é que isso é bom para a segurança, protege os alunos de professores psicopatas e de outros alunos também psicopatas. Só pode ser isso. Como é que, vigiado, um aluno vai colocar tinta na cadeira da professora?
Com 6, 7 anos os garotos de hoje já tão entupidos de atividades, tanto que não sobra tempo para serem o que são: crianças. É balé, natação, futebol, ginástica, computação, inglês, francês, espanhol... Ufa. Até eu cansei só de pensar. Tá certo que hoje não existe mais a figura da mâe que é exclusivamente dedicada ao lar. Tá certo que é uma correria do caramba e nem dá pra deixar a molecada na rua. Mas, daí a ocupar todo o tempo da criatura com atividades, digamos, responsáveis já é demais. E o tempo para fazer tudo aquilo que eu citei?
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