quarta-feira, 30 de junho de 2010

Novos tempos, novos desafios e a morte da infância (PARTE II)

Sem papo de nostalgia, mas a minha infância foi melhor. Não tinha celular me vigiando, não tinha câmeras em todo lugar. A molecada hoje só brinca de video game. Quando sai pra uma atividade ao ar livre, isso ocorre em ambientes controlados.

Quando me dava vontade de bater bola, eu saia de casa em casa chamando os amigos, colocávamos pedras ou nossas próprias sandálias para marcar o gol e nisso ficávamos a tarde inteira. Hoje todo moleque tá na escolinha de futebol. Brincar na rua? Nem pensar, é perigoso.

Tenho muito medo das crianças de hoje se tornarem ingênuas demais. Normalmente, tudo o que querem elas têm. Não estão acostumadas com a palavra NÃO. Quando acontece, se faz de vítima e, na maioria da vezes, consegue o que quer.

Hoje se fala em bulling. Na escola todo mundo tinha apelido. Eu mesmo era o barriga, pança. Quando cortava o cabelo muito rente só me chamavam de careca. Eu ficava bravo, chegava a brigar na escola. Mas isso me ensinou que a vida não é feita só de coisas boas.

Se tinha um gordinho ele era a baleia assassina. Rolha de poço. Se alguém diz isso hoje para uma criança é levado ao juizado especial. Vamos proteger as criancinhas.... Que balela. O próprio tem que criar mecanismos de auto defesa. Nunca vi ninguém morrer por causa de apelido e pegação no pé. Mas hoje tudo causa trauma. Palmada em casa causa trauma. Porrada na rua? Vai tornar o menino um serial killer em potencial.

Deixemos as crianças viverem a vida. Vamos orientá-las, mas deixemos que engrossem a casca também. Senão teremos uma geração que só solta pipa no ventilador.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Novos tempos, novos desafios e a morte da infância (PARTE I)

Não sou e nem tenho a menor pretensão de me tornar um especialista em educação infantil. As únicas experiências que tenho com crianças, já que ainda não tive o prazer de ser pai, é a minha própria infância e a convivência com um sobrinho que mora comigo há alguns anos e que, mesmo antes disso, já era bastante próximo. E todo o conhecimento empírico que cada um de nós vai acumulando ao longo da vida, afinal, sempre gostei de crianças. Pois bem, voltemos ao tema. Acho que estão matando a infância, encurtando-a, tornando mais chata e limitando-a até os 5 ou 6 anos de idade. A partir daí...


O que é infância na minha concepção? É tempo de brincar, não se preocupar com nada, aprontar, pintar o 7 o 8 o 9... É tempo de fazer birra, de brincar na terra, correr descalço. Tempo de grupinhos separados de meninas e meninos, normalmente com os meninos implicando com as meninas. É tempo de não se preocupar se o sol tá quente ou se tá frio demais para usar determinado tipo de roupa, andar de cueca no meio da rua, fazer os próprios brinquedos. É tempo de cair, chorar, correr e cair de novo, mas sempre se levantando em seguida.

A infância também é tempo de aprender. Aprender a conviver em grupo, a se defender, interagir com outros da mesma idade, idades diferentes, gostos diferentes, classes e cores diferentes. Aprender, principalmente, a superar desafios, receber nãos, tomar "porrada" da vida, se safar das adversidades.

Outro dia, assistindo a um jornal televisivo aparecem duas senhoras, uma contra e outra a favor, de um projeto em tramitação no congresso sobre colocar câmeras de vídeo em instituições educacionais para crianças de até 6 anos de idade. Que absurdo. Como é que um menino, sabendo que está sendo monitorado full time vai agir com naturalidade? A desculpa é que isso é bom para a segurança, protege os alunos de professores psicopatas e de outros alunos também psicopatas. Só pode ser isso. Como é que, vigiado, um aluno vai colocar tinta na cadeira da professora?

Com 6, 7 anos os garotos de hoje já tão entupidos de atividades, tanto que não sobra tempo para serem o que são: crianças. É balé, natação, futebol, ginástica, computação, inglês, francês, espanhol... Ufa. Até eu cansei só de pensar. Tá certo que hoje não existe mais a figura da mâe que é exclusivamente dedicada ao lar. Tá certo que é uma correria do caramba e nem dá pra deixar a molecada na rua. Mas, daí a ocupar todo o tempo da criatura com atividades, digamos, responsáveis já é demais. E o tempo para fazer tudo aquilo que eu citei?